Voltei. Depois de alguns meses em off resolvi voltar aqui e escrever como anda minha rotina criativa. Durante esse tempo eu nem tinha sobre o que escrever, meu relacionamento com a costura não estava muito bem, as coisas andavam meio conturbadas nós, então resolvi me afastar um pouco e nos demos um tempo.
Antes dessa crise, tudo estava bem, eu estava costurando a todo vapor, minha criatividade estava a mil e então resolvi aproveitar essa maré para abrir o boteco e aceitar algumas encomendas. E foi aí que as coisas começaram a desandar...
Me decepcionei comigo e até achei que nosso amor estivesse indo por água abaixo, eu estava impaciente e mal conseguia fazer uma costura reta sem me irritar por alguma coisa. Para resumir, não aguentei a pressão da vida de costureira e pedi para sair antes de entrar, literalmente!
Mas, como acontece com todo amor verdadeiro, resolvemos nos dar uma nova chance e ontem iniciei uma nova jornada, estou aprendendo a costurar peças criativas e lindas, como esse sapatinho de bebê: 


Fiquei apaixonada pelo resultado e já estou planejando costurar e bordar e assim unir minhas duas paixões em um sapatinho.
E vai ser no meu tempo. Trabalho de segunda a sexta, tenho marido, em breve terei filho para criar, então, não, não terei estoque. Talvez eu aceite uma ou outra encomenda, que farei com o mais absoluto amor. Mas, se eu disser que não entregarei de imediato, não me chame de costureira enrolada, afinal, não sou costureira e enrolada não é o melhor adjetivo, pois sou mesmo é apaixonada pela costura e nada mais que isso. 

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Toda quarta-feira eu acordo bem animada, porque é o dia da minha aula de costura. Sim, eu faço aulas de costura há quase um ano e amo! Quando digo que gosto de costurar metade das pessoas ficam admiradas e até admitem que gostariam de aprender a fazer suas próprias roupas e a outra metade me olha como se eu fosso um ser de outro planeta... não me importo, afinal, fazer o que todo faz e gostar do que todo mundo gosta nunca foi o meu forte.
Mas falando sobre costurar, essa atividade semanal tem me ensinado algumas lições ao longo desses meses. No início eu chegava em minhas aulas portando um arsenal de guerra, vários tecidos, revistas, aviamentos e até um caderno com croquis que eu mesma desenhava. Queria fazer um guarda-roupas completo em apenas três horinhas de aulas, míseras quatro aulas por mês. Eu tinha planos para fazer roupas em série, vários modelos, várias cores, muitas peças e todas feitas por mim com amor (eu julgava ser com amor...). Tenho certeza que a professora me olhava com pena e previa que minha ficha cairia um dia, podia demorar, mas um dia ela cairia. E caiu. Percebi que com aquele entusiasmo todo eu não iria aprender a costurar (com amor), eu montaria uma oficina chinesa de trabalho escravo.
Costurar com amor é outra coisa e requer muito mais do paciência e dedicação. É preciso ter consciência e estar de corpo, alma e coração. Só assim podemos aprender de verdade e fazer o amor durar, porque vida costureira não é fácil!
Costurar é um processo minucioso onde é possível perceber a importância de cada etapa para então se deliciar com a sensação de costurar o “vestido mais lindo do mundo”! É necessário planejar todos os detalhes do feitio:  tirar as medidas, modelar, riscar em papel, cortar o tecido, costurar (desfazer muitas vezes) e passar a ferro. Passar a ferro é importantíssimo! O vestido não fica pronto até você usar um ferro bem quente, tirando todas os amarrotados e pequenas imperfeições. O calor deixa tudo impecável, como na vida. Rubem Alves mesmo disse sabiamente que “...a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente”.  
Costurar me fez muito bem e tem me ensinado a cada aula que é preciso respeitar o tempo de cada etapa, inclusive na vida e que é preciso fazer as tarefas com c(alma), para fazer bem feito. Ah! E o mais importante, que o acabamento, o toque final da costureira, faz o coração de quem usa uma peça costurada com amor bater mais forte, o importante não é terminar uma peça, é terminar o “vestido mais lindo do mundo”!
Hoje sei que estou costurando com amor e com muita vontade de ser uma pessoa melhor, não melhor do que ninguém, mas melhor para o mundo.

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São tantas coisas para fazer, tantos compromissos que é quase impossível estabelecer uma prioridade. E como uma confissão de uma desassossegada de pai e mãe, deixo hoje aqui uma crônica da Martha Medeiros (minha musa, que escreve como se fosse para mim!) que diz muito sobre as concordâncias e discordâncias da vida:

A raça dos desassossegados
Por Martha Medeiros

“Foi no livro A caverna, de José Saramago, que o personagem Cipriano Algor definiu seu genro Marçal como um homem ‘da raça dos desassossegados de nascença’. Logo, pensei ao ler, ‘eu também sou’, assim como você deve estar pensando, ‘me inclua nessa’.
À raça dos desassossegados pertencemos todos, negros e brancos, ricos e pobres, jovens e velhos. Bem, desde que tenhamos duas características: a inquietação (que nos torna insuportavelmente exigentes conosco) e a ambição de vencer não os jogos, mas o tempo, esse adversário implacável.
Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constantemente, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.
Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.
Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam. 
Desassossegados não podem mais ver o telejornal porque choram, não podem sair mais às ruas porque tremem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.
Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.
Desassossegados têm insônia e são gentis, as verdades imutáveis os incomodam, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente. Dessa raça somos todos, eu sou e só sossego quando me aceito.”



Ano passado me aventurei em um mundo novo, o mundo maravilhoso da costura! Sim, é maravilhoso! Já se passaram quase um ano e continuo a cada dia mais apaixonada pela máquina de costura e tenho mil e um planos.
Já fiz várias peças, inclusive para minhas amigas e minha família, e a cada peça sinto a mesma satisfação ao final do trabalho. 
Até arrisquei desenhar alguns croquis e o resultado não foi nada mal. É muito prazeroso planejar um novo modelo, comprar os aviamentos, debruçar na máquina por algumas horas e, depois pronto, constatar que ficou exatamente como você queria. 
E entre uma costura e outra eu encontrei outra paixão, o bordado livre. Bordar é delicado, requer atenção, paciência e relaxa bem mais que yoga, garanto! Minha mente voa e dança por aí enquanto bordo. Tem coisa mais delicada quanto dizer que alguém borda os dias? Bordar é desenhar e colorir com linhas e agulhas, é esperar o tempo de colher o fruto.
Há quem diga que é uma atividade reservada às avózinhas, na verdade, é reservada aos que conhecem o valor de esperar. E se tem uma coisa que desejo do fundo do coração é aprender a esperar. 
E uma amiga do trabalho me confiou uma missão muito especial, pediu que eu fizesse um avental para presentear seu namorado.
Foi um trabalho processual: fazer o molde, cortar o tecido, costurar e por fim, arrematar com um bordado que deu vida ao avental. 
E o resultado foi esse: 


Fiquei apaixonada! E depois de fazer esse avental só posso concluir que o bordado e a costura foram feitos um para o outro! 

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Outro dia, enquanto eu tomava o meu café da manhã com uma colega de trabalho, falamos sobre algo que tem me incomodado demais nos últimos tempos, o tão perseguido equilíbrio. E aí, pensando sobre isso, resolvi começar entendendo melhor o que é significa a palavra equilíbrio

Fui buscar no dicionário e olha o que eu encontrei:
equilíbrio 
e.qui.lí.brio 
sm (lat aequilibriu) 1 Fís Estado de um corpo que é atraído ou solicitado por forças cuja resultante é nula. 2 Fís Estado de um corpo que se mantém sobre um apoio, sem se inclinar para nenhum dos lados. 3 Polít Estado da política geral em que as nações convivem de maneira que nenhuma pode pôr outra em perigo. 4 Justa proporção. 5 Polít Estado dos poderes públicos, que se relacionam, sem que nenhum deles domine ou suplante outro. 6 Proporção, harmonia. 7 Sociol E­qui­valência de forças antagônicas num sistema fechado de inter-relação dinâmica. 8fig Come­dimento, moderação cautelosa. 9 fig Domínio de si mesmo. E. ácido-básico, Biol: a) proporção normal entre os elementos ácidos e básicos do sangue e dos fluidos do corpo; b) concentração normal dos hidrogeniontes. E. cinético, Fís:equilíbrio de um corpo, quando em movimento de translação retilínea uniforme. (…)
Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa

De acordo com tudo isso aí (e muito mais), identifiquei algumas pistas para chegar (ou não a uma conclusão): manter-se sobre um apoio, não inclinar-se para nenhum dos lados, convivência de ajuda mútua, relacionamento sem um elemento dominante, moderação e por último (acrescentado por mim), auto conhecimento. Nada muito concreto, só conceitos resgatados em uma referência e outra.
Mas pensando bem, desisto de entender o que é o equilíbrio e de procurar uma receita para chegar a este estado. Confesso que no improviso sempre me dou melhor, o script me limita demais, me aperta e me deixa muito desconfortável. 
Mas, uma coisa é certa, Deus pode me guiar nesse caminho e em meio a tantas pesquisas pude entender que “Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: "Este é o caminho; siga-o".” Isaías 30:21
Então, continuo vivendo, caminhando com o coração cantando e agradecida por tudo e por nada. 

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Meu nome é Maria Amélia, mas pode me chamar de Amelinha, afinal todo mundo me chama assim. Sou mineirinha e sempre adorei coisinhas, especialmente as criativas, coloridas e feitas à mão. Sempre achei que o que é feito por mim tem mais valor e, principalmente, mais amor! O Coisas da Amelinha foi criado para compartilhar caseirices, lindezas e ideias. Pode entrar e mexer à vontade, por aqui sempre vai ter muita cor, flor e amor, porque a vida é feita disso.


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